sexta-feira, 25 de março de 2011

Friagem


...Eu amo um garoto do meio oeste americano
Que divide comigo um sanduiche de frango

Ele diz que faz rimas diferentes pra me deixar contente

E que minhas mãos são melhores que um pente
Pela manhã nós tomamos mate

E a noite nos lambuzamos com chocolate

As vezes até penso que ele é irreal

Pois ocupa no meu coração um espaço ideal...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Keselight - Part II

Ela estava sonhando que caminhava no parque em uma tarde de outono, procurava por algo, olhava em todas as direções, atrás das árvores, bancos e fontes. Tentava ouvir algum ruído, mas com todas aquelas vozes não conseguia. Porém, o parque estava vazio, apenas ela caminhava por ali. O pior de tudo era procurar algo que não sabia o que era. 
Nas extremidades do parque há pistas de cooper e ciclovias, adentrando há bancos e árvores, logo após, duas belas fontes (apesar de seus anjos demonstrarem dor, lágrimas e sorrisos), e na parte central, um labirinto com paredes cobertas de hera. Por algum motivo quando ela olhou para o labirinto seu coração disparou, suor gelado descia por sua nuca, e suas mãos ficaram trêmulas. Ela começou a caminhar.
Rodeada por toda aquelas natureza urbanizadamente perfeita, enquanto levantava folhas secas com os pés, e acariciava a hera com as mãos, sua mente sempre a transportava para o galpão perto de sua casa. Aquele lugar formado de ferro, aço, suor, capitalismo e óleo, onde uma década atrás funcionava uma fábrica de maçanetas. Maçanetas de todos os tipos, clássicas, modernas, com um trinco ou dois, prateadas, douradas, e até mesmo de cristal.
 Nesta fábrica também se fabricava as chaves (é claro), mas elas na primeira impressão enganavam, pois a de aço poderia abrir a maçaneta de cristal, e a para dois trincos a de um. Com isso era possível ninguém sabia, pois os funcionários fabricavam apenas maçanetas. Quem fabricava as chaves era o senhor Oxttish, um homem de aproximadamente 70 anos, cabelos brancos, magro e com unhas rosadas. Não se tinha muitas informações sobre ele, além de que fabricava maçanetas e chaves a vida inteira, pelo interior da Inglaterra. Os seus produtos sempre foram fabricadas a mão. 
O labirinto chegava ao fim. Ela mal percebeu que caminhos tomou, olhou aquele lugar com suas paredes de hera, folhas secas no chão, e uma espécie de mesa no centro, exatamente no centro do labirinto. Em cima desta mesa havia um cubo, um pouco mais alto e mais largo que um micro-ondas. Parecia feito de vidro, um vidro tão cristalino como a água, envolvendo ele como se estivesse protegendo, tinha filetes de aço formando um desenho quadriculado. O cubo estava aberto. A tampa jazia ao seu lado.
 Ela começou a se aproximar, como um imã é atraído pelo polo oposto. Mesmo sem ver, ela sentia que tinha algo lá, talvez o algo que procurava. Seu coração estava na sua boca, esticou o braço direito e colocou-o dentro do cubo, sem ao menos olhar o que ele possuía. Mesmo assim viu que brilhava e o agarrou. 
Nesta hora ela despertou. O coração ainda pulsava rápido, olhou ao redor e viu que estava em seu quarto, tudo parecia como era. De repente viu que sua mão direita estava fechada, sentia que havia algo ali dentro. Sacudiu a cabeça e disse a si mesma: "Sophie wake up! Está ficando louca?". Ela abriu a mão, e tinha algo ali...