sábado, 3 de março de 2012

No ritmo da vida da gente

É interessante como algo que não é seu se torna seu. Estou dizendo isso porque hoje foi o último capítulo de "A vida da gente", uma novela das 6. Uma novela feita para todos, mas que se tornou tão minha. Não foi simplesmente uma novela, mas foi um aprendizado, uma caminha a frente, em direção ao Feixe de Luz. Durante a novela tantas coisas aconteceram, perdas e ganhos. Muitas vezes em proporções equivalentes, quando vistas de certas perspectivas. Eu vi sorrisos, conquistas, lágrimas e idas sem despedidas, mas eu vi isso na minha vida também. Eu sei que isto não é uma questão minha, mas sim humana, se você meu caro E. tivesse aqui, com certeza concordaria com alguns fatos, dizeres, momentos. Entretanto sei que haveria momentos que você simplesmente me abraçaria e tentaria me proteger de todas as coisas ruins. Eu perdi pessoas durante esse caminho, você principalmente, mas não é que a vida da gente dá voltas, e eu percebi que estava tentando manter algo que não tinha mais como. Isso não é sem lógica? Coisas do coração meu caro. Percebi que errei com alguns, pelo fato de deixar minha opinião de lado por quem não a reconhecia, ou por quem não deveria nem sequer ouví-la. Mas ao mesmo tempo, percebi que encontrei pessoas tão lindas de alma nesta jornada e comecei a enxergar algumas que estavam sempre ali. Rompi barreiras, encontrei as chaves de portas. E não é que coisas assim também aconteceram na novela? Pois a vida e a arte são ligadas. Quando analiso os prós e contras da minha família, dos meus amigos, da minha rotina, vejo que tudo está mais evoluído do que era antes. Eu tinha raiva, rancor, em alguns quesitos ainda tenho mágoa, mas me pego pensando assim: "nossa, passou". Não pense você que está lendo isto aqui, que tudo isto gira em torno da emoção do final de novela, mas sim em como a vida transcorre. Não posso dizer que tudo está acertado, resolvido, porque sejamos francos.... nunca estará, pois estamos sempre em curso. Estou citando você meu caro, não porque tive a coincidência de lamuriar a sua perda física durante a novela, mas sim porque você é um bom exemplo das minhas borboletas azuis. A novela citou os fatos que ocorreram em rios, rios estes que me levaram duas pessoas, uma durante o ensino fundamental, outra durante o ensino médio. Os rios levaram duas pessoas, mas me deixaram duas almas. O mais incrível para mim é sentir um alívio por tudo que tenho sentido nesses últimos tempos, antes, durante e depois da trama. Acredito que estou lidando, aproveitando, expressando melhor minhas vontades, meus pensamentos, meus sentimentos, como os personagens fizeram ao decorrer do folhetim. A trilha sonora, o enredo, o roteiro da minha vida está cada vez mais refinado, não para o público, ao contrário da novela, mas para mim.