domingo, 24 de junho de 2012

E à dentro

Nove meses se passaram
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui
Os dias são rápidos e sem relevância
Percebo o quanto fico perdida com sua ausência
Vagando por bobagens na internet
O meu amor por você é mais brilhante que seus olhos azuis
E mais intenso que o negro de seus cabelos
As tardes são apenas horas comandadas pelo Sol
As manhãs são opções para estender meus sonhos
Dormir é sempre agradável
Você está na maioria dos meus sonhos
As noites me lembram que não tenho motivos para despertar amanhã
Isso é tão mesquinho de minha parte
Existem outros dependendo do meu passado, presente, futuro
Mas ainda vejo sem destino os meus trilhos
Dormir é tão reconfortante
Foi o que você mais fez nos últimos tempos
Mas é justamento o Grande Sono que me separa de ti
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dear boy




Eu conheci um garoto nos corredores da escola
Ele estava uma série a minha frente
Mas em salas diferentes
Eu em uma ponta e ele em outra
Ele tinha os olhos mais brilhantes do mundo

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Os seus passos sempre me pareceram tão certeiros
Apesar da pouca distância que percorriam
Você sempre vinha me encontrar
E eu queria sempre mais quando ouvia o seu "bye bye"

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Quase sempre andava com a pele coberta
Parecia que te fazia mal a luz
Tinha uma pele tão branquinha
E as mãos frias que me seduz

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Querido, deixe eu olhar os seus olhos brilhantes
Ver os seus passos firmes
Tocar com amor a sua pele
E ouvir a melodia da sua voz

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sem necessidade de revelar sua nomeação ao público.

E ele caminhou pelos túneis fétidos, que estavam cheirando pó, mas não um simples pó, mas um pó de ossos, ossos de quem morreu com um grito na garganta e acído no esôfago. Um túnel que nas bases baixas de suas paredes eram verdes, verdes de lodo, um lodo que apenas de olhar amargava a boca. Um túnel que nas bases altas de suas paredes eram negras, negras como os fornos arianos, que traziam a mente as mais belas moedas de ouro. Ele sabia que caminhar ali era necessário, porém havia uma grande probabilidade que ele nunca saísse de lá, que seus ossos acompanhassem o eco daquele pó ácido restante dos fétidos gritantes. As luzes que se alternavam a cada 3 metros tinham uma cor gélida, algo que o lembrava âmbar, mas que ao mesmo tempo o fazia lembrar de túneis de minas que desmoronaram. Suas botinas que já estavam um tanto gastas pelo pavimento da vida, pisavam e se molhavam no filete de água que escorria pelo túnel, um filete de textura encorpada como óleo e salobra como de um pântano. Provavelmente já estava caminhando por ali há 10 minutos, mas não poderia de fato acreditar nisso, pois o tempo se tornara atemporal, e atemporal se tornara a rotina do tempo. Então ele pensou "o tempo, denominado o senhor de todos, neste mundo era apenas mais um servo dele",  e isto o fez lembrar das tardes que passava ao lado de seu primo, treinando para o amanhã sem ter a certeza se o hoje iria se concretizar. Tardes correndo pelos campos de trigo, treinando tiro ao alvo em madeiras marcadas com tinta vermelha, dando saltos especiais (naquela época julgados fabulosos). Comendo pão sovado por sua mãe na hora do grande peso, e deliciados na hora do Sol-água-ardente. Essas lembranças tinham um cheiro delicioso, acolhedor, que o fazia lembrar de quando tudo era mais fácil (parecia mais fácil, simples), mas então ele sentiu o cheiro de onde realmente estava, nas ruinas Lot. Ele já estava meio entorpecido com aquele odor quando percebeu que uma luz azul cintilava metros à frente. Isso poderia significar algo, sentia que sim, mas seu senso crítico o contestava "pode ser apenas uma mudança na coloração do glass, ou na coloração do lodo". Mesmo assim ele sentia que aquela mudança era como o coláfaro, havia mudanças apartir dali.