▄▄▄É ínicio de noite de verão, acabo de desembarcar do ônibus, a grande máquina de fibra de carbono e ferro estava gelada, o crepúsculo torna o ceú "SandyBrown", mesclado com um tom de nublado, a chuva virá, e os ventos sopram nomes que desconheço, enquanto ando devagar pela calçada tranquila de um setor comercial em uma tarde de sábado. Tudo parece normalmente quieto, mas estou estranhamente inquieta, como alguém que acabou de fender seu coração. As pessoas não se tornam tão inconvenientes quando estão dentro de suas casas, dentro de suas vidas, afinal de contas, nas ruas todos somos vitrines.
▄▄▄Continuo andando com o meu sapato de salto 5, meu vestido azul escuro de detalhes amarelos e a bolsa da primavera. A chuva começa a cair como em todos os dias desta época do ano, parece que uma tempestade vem por aí,decido colocar minha jaqueta, mesmo assim prefiro não apressar o passo, a chuva sempre foi minha amiga. Já estou na metade do caminho para casa, agora já estou no meu próprio setor, um local perdido entre a década de 70 e a expansão comercial da cidade. Poderia seguir reto para casa, mas por algum sentimento desconhecido ou não compreendido, viro a esquerda por uma das mais belas ruas de meu caminho, mas apesar de toda a beleza de suas casas, não conheço ninguém dos que a possuam. O som do meu salto marca a rítmica da notas do asfalto, nesta rua que sempre me chamou a atenção, afinal arquitetura é arte e a arte me atrai.
▄▄▄Todas as casas tem características únicas do Degradeè ao Art Déco, algumas tem paredes brancas, portões com grades, ou que privam os curiosos de analisar a arte interna das edificações, há aquelas de muros brancos ou até a que seus muros são cobertos de plantas ou muros orgânicos como gosto de nomear. A cada passagem analiso as suas individualidades e descubro novos detalhes, alguns sutis, outros extravagantes, e me pergunto como não o vi antes. Brincadeirinhas da mente.
▄▄▄Geralmente quando contorno a esquina continuo na calçada e atravesso a rua quando estou na antepenúltima casa, sempre com o meu passo lento. A chuva já se tornou uma tempestade, minha visão fica turva, prefiro não pegar o guarda-chuva, a água está deliciosa, como se a ácidez da poluição da cidade houvesse desaparecido. Justamente quando passo em frente a casa de muros orgânicos, percebo algo brilhando, nunca o tinha visto antes, decido atravessar antes da hora...
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