quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Torre No Térreo



Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar

Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você precisou escalar
Nunca levou tão a sério
Os tijolos que teve que derrubar

Houve dias que a chuva encharcava o musgo
Como eu tentando o seu trajeto desviar
Mesmo quando a água brincou com o turvo
Conseguiu os seus olhos firmar

Não é que eu queria ser inacessível
Só que a Terra nem sempre é plana
Você enxergou a topografia compreensível
Como se as colinas fossem brandas

Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar

Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você já conseguia flutuar
Com uma agilidade cheia de mistério
Os seus olhos conseguiram me mirar

Houve dias que o Sol queimava a sua pele
Como eu tentando te fazer fraquejar
Mesmo quando a água brincou de miragem
Conseguiu suas pernas equilibrar

Não é que eu queria ser intransigível
Só que a neblina nem sempre deixa transparecer
Você enxergou o receio crível
Como se o cinza com uma palma pudesse desaparecer

Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar

Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você conseguiu chegar
Com o empenho cheio de mérito
Os seus lábios vieram me encontrar

Houve dias que o silêncio reinou
Como eu tentando te testar
Mesmo quando a água de lágrima brincou
Você conseguiu me confortar

Não é que eu queria ser invisível
Só que o coração às vezes teme o tocar
Você conseguiu ser sensível
Como se um floco de neve fosse segurar

Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar

Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você conseguiu ficar
Com um eterno sabor etéreo
A sua alma conseguiu me salvar

Pães




"Domingo de manhã eu senti cheirinho de pão quentinho da padaria, vi aquelas pessoas tomando café da manhã(afinal de contas, era Domingo. Se toma café da manhã na padaria, na feira, depois da balada) e tive um “insight” sobre aniversários. E me veio a mente a data do seu. Coisas do subconsciente que vive guardando as notificações virtuais e reais.

Acho que aniversário é como um pãozinho novo:
Você acumula dinheiro(dias) para comprar os ingredientes(memórias);
Começa a adicionar um a um(mês a mês) em uma tigela;
Sova e sova e sova essa mistura(todas as dificuldades e adversidades pelo caminho);
Até ela se tornar uma massa uniforme(ano);
A separa em tamanhos que lhe agrada(aquela bad, aquela fase que um disco e/ou uma série não sai da cabeça, uma viagem memorável, aquele presente que será eterno em sua mente);
Coloca essas partes em uma forma com o tamanho ideal e com o peso exato que você pode suportar;
E caso não caibam todos, não tem problema, fica para a próxima fornada, até porque o forno(corpo) ficará ligado e o gás(vida) durará muito tempo;
Enquanto se espera o pão assar, dá tempo de passar um café, tirar o leite da geladeira e arrumar a mesa(Quantos cafés entre um aniversário e outro não acompanharam a ansiedade do dia a dia?!);
Quando o pão fica pronto, os olhos brilham, desponta aquele sorriso de ponta a ponta, e todo mundo que ama pão(e nos ama) aparece;
Há quem coma puro, há quem corte ao meio, há quem passe manteiga, requeijão, margarina, mas em resumo posso dizer que todos dividem o pão(as memórias) e tudo que está ali.


Os detalhes mudam um pouquinho de pão para pão(de ano para ano), de chef para chef(cada um de nós). Terá vez que sairá do forno pão francês, pão italiano, pão integral, baguete ou com gergelim, mas todos possuem o seu apreço, os seus tamanhos e suas dificuldades no modo de preparo. Só tem um item em que todos se assemelham: a satisfação de comê-los. Aquele momento em que se conclui que o tempo gasto no supermercado, na cocção e na louça suja valeram a pena.

Colocando-me numa breve estrofe como eu lírico, quero dizer que como boa pessoa introvertida, vejo os seus pães pela prateleira, de longe, porém sinto os seus aromas, vejo as suas belezas e cores. E simplesmente fico admirada.
Muitos pãezinhos,
Parabéns."

Escrevi este texto em 10/10/2016 para um amigs. Entretanto, todos nós temos nossas próprias prateleiras, nossos próprios pães, com tamanhos, sabores e aromas diferentes, e nossos próprios tempos de forno. Assim como o pão... Por que não partilhar?!