quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Pães




"Domingo de manhã eu senti cheirinho de pão quentinho da padaria, vi aquelas pessoas tomando café da manhã(afinal de contas, era Domingo. Se toma café da manhã na padaria, na feira, depois da balada) e tive um “insight” sobre aniversários. E me veio a mente a data do seu. Coisas do subconsciente que vive guardando as notificações virtuais e reais.

Acho que aniversário é como um pãozinho novo:
Você acumula dinheiro(dias) para comprar os ingredientes(memórias);
Começa a adicionar um a um(mês a mês) em uma tigela;
Sova e sova e sova essa mistura(todas as dificuldades e adversidades pelo caminho);
Até ela se tornar uma massa uniforme(ano);
A separa em tamanhos que lhe agrada(aquela bad, aquela fase que um disco e/ou uma série não sai da cabeça, uma viagem memorável, aquele presente que será eterno em sua mente);
Coloca essas partes em uma forma com o tamanho ideal e com o peso exato que você pode suportar;
E caso não caibam todos, não tem problema, fica para a próxima fornada, até porque o forno(corpo) ficará ligado e o gás(vida) durará muito tempo;
Enquanto se espera o pão assar, dá tempo de passar um café, tirar o leite da geladeira e arrumar a mesa(Quantos cafés entre um aniversário e outro não acompanharam a ansiedade do dia a dia?!);
Quando o pão fica pronto, os olhos brilham, desponta aquele sorriso de ponta a ponta, e todo mundo que ama pão(e nos ama) aparece;
Há quem coma puro, há quem corte ao meio, há quem passe manteiga, requeijão, margarina, mas em resumo posso dizer que todos dividem o pão(as memórias) e tudo que está ali.


Os detalhes mudam um pouquinho de pão para pão(de ano para ano), de chef para chef(cada um de nós). Terá vez que sairá do forno pão francês, pão italiano, pão integral, baguete ou com gergelim, mas todos possuem o seu apreço, os seus tamanhos e suas dificuldades no modo de preparo. Só tem um item em que todos se assemelham: a satisfação de comê-los. Aquele momento em que se conclui que o tempo gasto no supermercado, na cocção e na louça suja valeram a pena.

Colocando-me numa breve estrofe como eu lírico, quero dizer que como boa pessoa introvertida, vejo os seus pães pela prateleira, de longe, porém sinto os seus aromas, vejo as suas belezas e cores. E simplesmente fico admirada.
Muitos pãezinhos,
Parabéns."

Escrevi este texto em 10/10/2016 para um amigs. Entretanto, todos nós temos nossas próprias prateleiras, nossos próprios pães, com tamanhos, sabores e aromas diferentes, e nossos próprios tempos de forno. Assim como o pão... Por que não partilhar?!

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