quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Torre No Térreo
Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar
Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você precisou escalar
Nunca levou tão a sério
Os tijolos que teve que derrubar
Houve dias que a chuva encharcava o musgo
Como eu tentando o seu trajeto desviar
Mesmo quando a água brincou com o turvo
Conseguiu os seus olhos firmar
Não é que eu queria ser inacessível
Só que a Terra nem sempre é plana
Você enxergou a topografia compreensível
Como se as colinas fossem brandas
Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar
Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você já conseguia flutuar
Com uma agilidade cheia de mistério
Os seus olhos conseguiram me mirar
Houve dias que o Sol queimava a sua pele
Como eu tentando te fazer fraquejar
Mesmo quando a água brincou de miragem
Conseguiu suas pernas equilibrar
Não é que eu queria ser intransigível
Só que a neblina nem sempre deixa transparecer
Você enxergou o receio crível
Como se o cinza com uma palma pudesse desaparecer
Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar
Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você conseguiu chegar
Com o empenho cheio de mérito
Os seus lábios vieram me encontrar
Houve dias que o silêncio reinou
Como eu tentando te testar
Mesmo quando a água de lágrima brincou
Você conseguiu me confortar
Não é que eu queria ser invisível
Só que o coração às vezes teme o tocar
Você conseguiu ser sensível
Como se um floco de neve fosse segurar
Daqui do alto da minha torre
Você conseguiu me enxergar
De todos que tentaram descobrir o sobre
Você foi o único que fez meu coração balançar
Mas amor, eu moro no térreo
E mesmo assim você conseguiu ficar
Com um eterno sabor etéreo
A sua alma conseguiu me salvar
Pães
"Domingo de manhã eu senti cheirinho de pão quentinho da padaria, vi aquelas pessoas tomando café da manhã(afinal de contas, era Domingo. Se toma café da manhã na padaria, na feira, depois da balada) e tive um “insight” sobre aniversários. E me veio a mente a data do seu. Coisas do subconsciente que vive guardando as notificações virtuais e reais.
Acho que aniversário é como um pãozinho novo:
Você acumula dinheiro(dias) para comprar os ingredientes(memórias);
Começa a adicionar um a um(mês a mês) em uma tigela;
Sova e sova e sova essa mistura(todas as dificuldades e adversidades pelo caminho);
Até ela se tornar uma massa uniforme(ano);
A separa em tamanhos que lhe agrada(aquela bad, aquela fase que um disco e/ou uma série não sai da cabeça, uma viagem memorável, aquele presente que será eterno em sua mente);
Coloca essas partes em uma forma com o tamanho ideal e com o peso exato que você pode suportar;
E caso não caibam todos, não tem problema, fica para a próxima fornada, até porque o forno(corpo) ficará ligado e o gás(vida) durará muito tempo;
Enquanto se espera o pão assar, dá tempo de passar um café, tirar o leite da geladeira e arrumar a mesa(Quantos cafés entre um aniversário e outro não acompanharam a ansiedade do dia a dia?!);
Quando o pão fica pronto, os olhos brilham, desponta aquele sorriso de ponta a ponta, e todo mundo que ama pão(e nos ama) aparece;
Há quem coma puro, há quem corte ao meio, há quem passe manteiga, requeijão, margarina, mas em resumo posso dizer que todos dividem o pão(as memórias) e tudo que está ali.
Os detalhes mudam um pouquinho de pão para pão(de ano para ano), de chef
para chef(cada um de nós). Terá vez que sairá do forno pão francês, pão
italiano, pão integral, baguete ou com gergelim, mas todos possuem o seu
apreço, os seus tamanhos e suas dificuldades no modo de preparo. Só tem
um item em que todos se assemelham: a satisfação de comê-los. Aquele
momento em que se conclui que o tempo gasto no supermercado, na cocção e
na louça suja valeram a pena.
Colocando-me numa breve estrofe como eu lírico, quero dizer que como boa pessoa introvertida, vejo os seus pães pela prateleira, de longe, porém sinto os seus aromas, vejo as suas belezas e cores. E simplesmente fico admirada.
Muitos pãezinhos,
Parabéns."
Escrevi este texto em 10/10/2016 para um amigs. Entretanto, todos nós temos nossas próprias prateleiras, nossos próprios pães, com tamanhos, sabores e aromas diferentes, e nossos próprios tempos de forno. Assim como o pão... Por que não partilhar?!
Colocando-me numa breve estrofe como eu lírico, quero dizer que como boa pessoa introvertida, vejo os seus pães pela prateleira, de longe, porém sinto os seus aromas, vejo as suas belezas e cores. E simplesmente fico admirada.
Muitos pãezinhos,
Parabéns."
Escrevi este texto em 10/10/2016 para um amigs. Entretanto, todos nós temos nossas próprias prateleiras, nossos próprios pães, com tamanhos, sabores e aromas diferentes, e nossos próprios tempos de forno. Assim como o pão... Por que não partilhar?!
sábado, 22 de novembro de 2014
216 horas - Parte (do corpo) I
Existem alguns momentos na vida que são tensos, um deles é o pós-declaração-de-amor. Ele dura três dias, a mesma quantidade de tempo que dura uma hora na cabeça do apaixonado(a). Enquanto uma pessoa em seu estado normal viverá 72 horas, ele remoerá cada palavra dita, escrita ou pensada durante 216 horas. Há milhares de efeitos colaterais durante essa "morte horrível" chamada espera, mas alguns são universais, como pensar que o(a) amado(a) dirá não. Você já ouviu falar nas omoplatas!? São aquele par de ossos na parte superior das costas que encostam-se quando espreguiçamos e afastam-se quando abraçamos.
Logo depois de se declarar, as omoplatas adquirem um comportamento um tanto quanto estranho. Elas sentem o ar dos seus pulmões, como se eles fossem peneiras de lanchonete que coam suco de laranja. Essa condição traz à vitima uma sensação de tórax rasgado com um ventilador ligado no três, isto a faz sentir seus órgãos balançando: pulmões como pipas e coração como um tênis pendurado na rede elétrica. O vento não pesa, mas pode mover todas as massas.
Você pode pensar que durante os três dias é apenas com isso que as omoplatas tem que lidar quando estão no corpo de um declarante-de-amor, mas elas também lidam com outro tipo de leveza que move massas. Para nós humanos, as omoplatas terminam com a pele das costas, uma camada até fina, pois podemos vê-las indo e voltando pelo espelho, mas para os anjos, incluindo os cupidos, elas são o início das asas. As asas são extensões do corpo compostas por ossos e cartilagem ligadas as omoplatas, e revestidas com penas.
Assim como a estrutura óssea das asas, o apaixonado(a) tem uma estrutura composta de sentimentos simples e complexos, que foram acumulados e misturados ao longo de toda uma existência, para que ele saiba o que se passa com o seu emocional e saber se é hora de se esticar ou dobrar. Entretanto, durante estes 3 dias, as emoções da vítima se tornam tão extremas quanto são as penas na extremidade da anatomia dos anjos. Delicadas, frágeis, mas firmes. Protetoras como um casulo e ao mesmo tempo sufocantes. Leves como plumas, mas com força para levantar elefantes.
As omoplatas trabalham arduamente durante essa "morte horrível" chamada espera, não somente por suas próprias funções, mas pelo trabalho conjunto com outras partes. Todo apaixonado(a) sabe trabalhar os braços, e não é porque ele vai à academia, mas porque articula incansavelmente, principalmente sozinho. Fala, gesticula e teoriza sozinho. As omoplatas se dobram e se esticam desde o movimento de tampar o rosto com um travesseiro, quanto jogar as mãos para cima em sinal de desistência.
Como disse, é um trabalho em conjunto, as omoplatas tem um importante papel no drama dos três dias pós-declaração-de-amor, mas as outras protagonistas também tem suas falas e expressões, hora juntas, hora separadas. Quase uma vida de Relações Públicas essa das omoplatas.
sábado, 5 de outubro de 2013
A me observar
Não foram dias de primaveras
Tormentas e furacões estiveram em mim
Pensamentos de várias esferas
Sobre tudo que já vivi
Papel e tinta gastos
Nesta imensidão de palavras pronunciadas
Muitas trocas de sapatos
Para apreciar minha caminhada
Pois quando não há fundamento
Não há necessidade de olhar para trás
Um advogado sem prova para seu "fato"
Perderá sua honra nos tribunais
Não adianta apelar para a mídia
Pois no primeiro momento podem até lhe escutar
Para o delicioso ibope alcançar
Mas há canais que preferem a veracidade mostrar
E neles você não irá passar
Como um tubarão que arrancou o primeiro pedaço
Você quer voltar
Como se sofresse de algum lapso
Achando que a minha mente pode apagar
É muito "bonito" falar o que quer
Mas não ficar para escutar
A sua baixeza eu não conseguia perceber
Até você se revelar
Meus olhos agora estão abertos
Não adianta mais
Tentar demonstrar algum afeto
A sua presença não me satisfaz
Pode tentar me puxar
Mas eu não vou cair
Fique aí embaixo a me observar
Pois nunca conseguirá subir
Tormentas e furacões estiveram em mim
Pensamentos de várias esferas
Sobre tudo que já vivi
Papel e tinta gastos
Nesta imensidão de palavras pronunciadas
Muitas trocas de sapatos
Para apreciar minha caminhada
Pois quando não há fundamento
Não há necessidade de olhar para trás
Um advogado sem prova para seu "fato"
Perderá sua honra nos tribunais
Não adianta apelar para a mídia
Pois no primeiro momento podem até lhe escutar
Para o delicioso ibope alcançar
Mas há canais que preferem a veracidade mostrar
E neles você não irá passar
Como um tubarão que arrancou o primeiro pedaço
Você quer voltar
Como se sofresse de algum lapso
Achando que a minha mente pode apagar
É muito "bonito" falar o que quer
Mas não ficar para escutar
A sua baixeza eu não conseguia perceber
Até você se revelar
Meus olhos agora estão abertos
Não adianta mais
Tentar demonstrar algum afeto
A sua presença não me satisfaz
Pode tentar me puxar
Mas eu não vou cair
Fique aí embaixo a me observar
Pois nunca conseguirá subir
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Just write 15
Não é somente perceber que você não está mais aqui, mas o simples fato de nunca ter esquecido esse detalhe tão deprimente. Não sinto toda essa situação como a sua partida, mas sim a minha, pois não pertenço mais a este mundo se você não pertence mais a ele. Não tenho palavras elaboradas para expor nossas histórias, vivências e convivências, apesar de tentar embelezar gramaticalmente aquilo que te cerca. E bem, não consigo de fato, você é muito mais bonito que tudo que digito. Tem um pouco mais de um ano que soube que não viveria de todo nesta vida, mas a dor que sinto me transporta para o dia de sua ida. Para mim é como se ontem fosse hoje, e o que sinto hoje também será sentido amanhã. Não posso dizer que sentirei da mesma forma, querendo ou não estamos em processo de adaptação, evolução e estagnação, mas sua falta me renova a cada manhã. De fato não tenho aquelas palavras bonitas, nem tocarei ninguém com as minhas palavras. Acho que elas são tão minhas que apenas eu consigo entender. Muitos tem a dor que sinto, mas somente eu sei a dosagem que é ministrada. Não estou tão conectada com as opiniões alheias, mas escuto que tudo que sinto, que estou passando é uma mentira, um exagero adolescente ou imaturidade. Sabe o que eu realmente penso sobre essas pessoas? Que elas querem ter o que eu tive, alguém que me completa de forma sublime, que me faz sorrir, que provoca lágrimas com desejo de quero mais, alguém que me ame e que eu possa amar sem esteriótipos. Você é meu, do seu jeitinho quietinho, com seus traços, beijos e abraços. Tudo meu, uma pena que não pode pegar um avião para cá e me fazer uma daquelas surpresas. Como disse, sinto que essa não é a sua partida e sim a minha.
domingo, 14 de outubro de 2012
Conredo
Você para e me diz que tudo se transformará
Eu até aceito a sentença, mas desconfio
Uma mariposa, uma bortoleta aparecerá?
Ou tudo não passará de uma lagarta no meio fio?
As surdinas da noite são mais claras que o meio dia
E os ultrapassados virais não encontram um início
O adultero não sabia que o cujo viria
E as lamentações pertenceriam ao comício
Rubiões almejam todos os nefastos
Pomposamente dignos do acaso
Tramitando dizeres em poucos Hertz
Sem esquecer da parada no andar 7
Conturbado retilíneo circular
Formidável, Oh discórdia!
Os surdos não podem esperar
Puderam somente apalpar
Os libertos tentam escapar
Convencendo aqueles que tornaram arredios
O tal cristalino social
Auvéolos um tanto macios
E o entretenimento frontal
Correntes de sóis nominais
Putrefação dos caminhos
Traumatismos banais
Correndo pelo suicídio dos moinhos
Convidados remanescentes ao título
Estalos de despedidas latejantes
Lamuriantes comentários do vívido
Pelos alojados viajantes
Tão convicentes quanto galinhas
Estão ao lado no supetão
Utilizáveis como farinhas
Pelo deslize da monção
Relembre doce miséria
Horizontes triviais
Olhares além da capela
Estrondos ploretariamente orbitáis
Oh, aquilo que não há!
domingo, 24 de junho de 2012
E à dentro
Nove meses se passaram
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui
Os dias são rápidos e sem relevância
Percebo o quanto fico perdida com sua ausência
Vagando por bobagens na internet
O meu amor por você é mais brilhante que seus olhos azuis
E mais intenso que o negro de seus cabelos
As tardes são apenas horas comandadas pelo Sol
As manhãs são opções para estender meus sonhos
Dormir é sempre agradável
Você está na maioria dos meus sonhos
As noites me lembram que não tenho motivos para despertar amanhã
Isso é tão mesquinho de minha parte
Existem outros dependendo do meu passado, presente, futuro
Mas ainda vejo sem destino os meus trilhos
Dormir é tão reconfortante
Foi o que você mais fez nos últimos tempos
Mas é justamento o Grande Sono que me separa de ti
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui
Os dias são rápidos e sem relevância
Percebo o quanto fico perdida com sua ausência
Vagando por bobagens na internet
O meu amor por você é mais brilhante que seus olhos azuis
E mais intenso que o negro de seus cabelos
As tardes são apenas horas comandadas pelo Sol
As manhãs são opções para estender meus sonhos
Dormir é sempre agradável
Você está na maioria dos meus sonhos
As noites me lembram que não tenho motivos para despertar amanhã
Isso é tão mesquinho de minha parte
Existem outros dependendo do meu passado, presente, futuro
Mas ainda vejo sem destino os meus trilhos
Dormir é tão reconfortante
Foi o que você mais fez nos últimos tempos
Mas é justamento o Grande Sono que me separa de ti
E eu me pego chorando madrugada à dentro
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Dear boy
Eu conheci um garoto nos corredores da escola
Ele estava uma série a minha frente
Mas em salas diferentes
Eu em uma ponta e ele em outra
Ele tinha os olhos mais brilhantes do mundo
Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz
Os seus passos sempre me pareceram tão certeiros
Apesar da pouca distância que percorriam
Você sempre vinha me encontrar
E eu queria sempre mais quando ouvia o seu "bye bye"
Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz
Quase sempre andava com a pele coberta
Parecia que te fazia mal a luz
Tinha uma pele tão branquinha
E as mãos frias que me seduz
Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz
Querido, deixe eu olhar os seus olhos brilhantes
Ver os seus passos firmes
Tocar com amor a sua pele
E ouvir a melodia da sua voz
Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Sem necessidade de revelar sua nomeação ao público.
▄▄▄E ele caminhou pelos túneis fétidos, que estavam cheirando pó, mas não um simples pó, mas um pó de ossos, ossos de quem morreu com um grito na garganta e acído no esôfago. Um túnel que nas bases baixas de suas paredes eram verdes, verdes de lodo, um lodo que apenas de olhar amargava a boca. Um túnel que nas bases altas de suas paredes eram negras, negras como os fornos arianos, que traziam a mente as mais belas moedas de ouro. Ele sabia que caminhar ali era necessário, porém havia uma grande probabilidade que ele nunca saísse de lá, que seus ossos acompanhassem o eco daquele pó ácido restante dos fétidos gritantes. As luzes que se alternavam a cada 3 metros tinham uma cor gélida, algo que o lembrava âmbar, mas que ao mesmo tempo o fazia lembrar de túneis de minas que desmoronaram. Suas botinas que já estavam um tanto gastas pelo pavimento da vida, pisavam e se molhavam no filete de água que escorria pelo túnel, um filete de textura encorpada como óleo e salobra como de um pântano. Provavelmente já estava caminhando por ali há 10 minutos, mas não poderia de fato acreditar nisso, pois o tempo se tornara atemporal, e atemporal se tornara a rotina do tempo. Então ele pensou "o tempo, denominado o senhor de todos, neste mundo era apenas mais um servo dele", e isto o fez lembrar das tardes que passava ao lado de seu primo, treinando para o amanhã sem ter a certeza se o hoje iria se concretizar. Tardes correndo pelos campos de trigo, treinando tiro ao alvo em madeiras marcadas com tinta vermelha, dando saltos especiais (naquela época julgados fabulosos). Comendo pão sovado por sua mãe na hora do grande peso, e deliciados na hora do Sol-água-ardente. Essas lembranças tinham um cheiro delicioso, acolhedor, que o fazia lembrar de quando tudo era mais fácil (parecia mais fácil, simples), mas então ele sentiu o cheiro de onde realmente estava, nas ruinas Lot. Ele já estava meio entorpecido com aquele odor quando percebeu que uma luz azul cintilava metros à frente. Isso poderia significar algo, sentia que sim, mas seu senso crítico o contestava "pode ser apenas uma mudança na coloração do glass, ou na coloração do lodo". Mesmo assim ele sentia que aquela mudança era como o coláfaro, havia mudanças apartir dali.
domingo, 6 de maio de 2012
Descer e encontrar
De banho tomado
Sapatos de laços calçados
Meu relógio atrasado
Para encontrar você sempre adiantado
Você comprava chokito para mim
Eu falava que ia engordar
Você ria de mim
Como se com isso você fosse se importar
Eu posso estar sozinha a noite
Dos seus olhos eu sempre vou lembrar
Pois pertencem a uma pessoa forte
Com quem eu sempre irei sonhar
Você me ligava no celular
Para avisar que vinha me buscar
Eu descia até a esquina
Para você encontrar
Você fazia tudo parecer tão especial
Como se tudo fosse o mais essencial dos segredos
E foi isso que aconteceu no final
Porque nunca conheceram esse sentimento por dentro
Você me levava para passear
Por ruas que nem imagina existir
Dando a cidade um novo olhar
Sempre fazendo eu me divertir
Você me comprava pão de queijo
Daquela padaria do Setor Oeste
Me derretia com o seu beijo
Que me pegava como a surpresa de um teste
Com a sua mãe você nem se importava
Pois ela vivia fora de casa
Você sempre demonstrou que me amava
Como um vinho a uma taça
Depois de algum tempo
Era hora de voltar
Ficávamos no lamento
Por sempre mais desejar
sábado, 3 de março de 2012
No ritmo da vida da gente
É interessante como algo que não é seu se torna seu. Estou dizendo isso porque hoje foi o último capítulo de "A vida da gente", uma novela das 6. Uma novela feita para todos, mas que se tornou tão minha. Não foi simplesmente uma novela, mas foi um aprendizado, uma caminha a frente, em direção ao Feixe de Luz. Durante a novela tantas coisas aconteceram, perdas e ganhos. Muitas vezes em proporções equivalentes, quando vistas de certas perspectivas. Eu vi sorrisos, conquistas, lágrimas e idas sem despedidas, mas eu vi isso na minha vida também. Eu sei que isto não é uma questão minha, mas sim humana, se você meu caro E. tivesse aqui, com certeza concordaria com alguns fatos, dizeres, momentos. Entretanto sei que haveria momentos que você simplesmente me abraçaria e tentaria me proteger de todas as coisas ruins. Eu perdi pessoas durante esse caminho, você principalmente, mas não é que a vida da gente dá voltas, e eu percebi que estava tentando manter algo que não tinha mais como. Isso não é sem lógica? Coisas do coração meu caro. Percebi que errei com alguns, pelo fato de deixar minha opinião de lado por quem não a reconhecia, ou por quem não deveria nem sequer ouví-la. Mas ao mesmo tempo, percebi que encontrei pessoas tão lindas de alma nesta jornada e comecei a enxergar algumas que estavam sempre ali. Rompi barreiras, encontrei as chaves de portas. E não é que coisas assim também aconteceram na novela? Pois a vida e a arte são ligadas. Quando analiso os prós e contras da minha família, dos meus amigos, da minha rotina, vejo que tudo está mais evoluído do que era antes. Eu tinha raiva, rancor, em alguns quesitos ainda tenho mágoa, mas me pego pensando assim: "nossa, passou". Não pense você que está lendo isto aqui, que tudo isto gira em torno da emoção do final de novela, mas sim em como a vida transcorre. Não posso dizer que tudo está acertado, resolvido, porque sejamos francos.... nunca estará, pois estamos sempre em curso. Estou citando você meu caro, não porque tive a coincidência de lamuriar a sua perda física durante a novela, mas sim porque você é um bom exemplo das minhas borboletas azuis. A novela citou os fatos que ocorreram em rios, rios estes que me levaram duas pessoas, uma durante o ensino fundamental, outra durante o ensino médio. Os rios levaram duas pessoas, mas me deixaram duas almas. O mais incrível para mim é sentir um alívio por tudo que tenho sentido nesses últimos tempos, antes, durante e depois da trama. Acredito que estou lidando, aproveitando, expressando melhor minhas vontades, meus pensamentos, meus sentimentos, como os personagens fizeram ao decorrer do folhetim. A trilha sonora, o enredo, o roteiro da minha vida está cada vez mais refinado, não para o público, ao contrário da novela, mas para mim.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Alguns sorrisos.
Estou aqui, tentado fazer algo positivo neste mundo. Mas não é engraçado, e acima de tudo deprimente, o quanto as pessoas tentam te boicotar? Eu não entendo essa lógica. Não deveríamos apoiar a doação de sangue, o uso dos três erres, a importância da educação, e o desenvolvimento do caráter e conhecimento das próximas gerações? Então, por que atrapalhar quem ajuda? Tem muito trabalho no mundo para ser feito. Não podemos apenas sorrir, e tentar aprender algo com isso? Sei que todo mundo tem defeitos, eu aliás, tenho muitos, mas não podemos enxergar que as qualidades são sempre em maior quantidade e valor? Acredito profundamente que o mundo tem esperanças, e que cabe a cada um de nós, seja pela arte de cantar, compor, atuar, seja dentro de um escritório, um consultório, um laboratório, seja por um pequeno texto em um blog, tentar mudar as coisas, pessoas negativas, e aprimorar as boas? Sei que alguns param apenas na escritura ou leitura de textos como este, mas eu estou tentando, buscando minha parte no mundo, não é muito, mas o suficiente para trazer alguns sorrisos. =]
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Olhar diagonal
Alheias a sociedade
Transmitem um primeiro olhar diagonal
De quem vive uma diferente realidade
Do que supomos ser a normal
Exteriormente coberta de cimento
Quem a usa tem que mostrar-se duro com os julgamentos
Interiormente são cabos entrelaçados o verdadeiro sustento
Quem a usa tem que esconder seus sentimentos
Há quem diga que todos são iguais
Mas se pensarmos por um momento
Isto não são cotidianos reais
Pois só há uma opção de entrosamento
Nessa escolha sem escolha
Passam vidas, histórias, sonhos
Que estão presos em uma bolha
Pelas limitações impostas aos seus movimentos.
Transmitem um primeiro olhar diagonal
De quem vive uma diferente realidade
Do que supomos ser a normal
Exteriormente coberta de cimento
Quem a usa tem que mostrar-se duro com os julgamentos
Interiormente são cabos entrelaçados o verdadeiro sustento
Quem a usa tem que esconder seus sentimentos
Há quem diga que todos são iguais
Mas se pensarmos por um momento
Isto não são cotidianos reais
Pois só há uma opção de entrosamento
Nessa escolha sem escolha
Passam vidas, histórias, sonhos
Que estão presos em uma bolha
Pelas limitações impostas aos seus movimentos.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
E não é...
E não é que o simples digitar de letras significa algo constantemente?!
Num mundo onde ouvir não é escutar, isso diz algo.
Onde ver uma notícia não acorda o ser para a realidade, com certeza pode-se admirar.
Os sorrisos são simplesmente uma máscara de persuasão funcional, mas tão limitada na verdade.
Todos nós já usamos o sorriso amarelo mais de uma vez, mas posso dizer com afinco que o meu atual é o de maior alcance.
Não porque eu queira, mas porque as pessoas não leem o significado das minhas letras, não escutam o que eu digo, e não querem enxergar a realidade.
Estão ocupados demais querendo apenas as respostas que lhe agradam.
Pois bem, continuemos a nossa existência.
Num mundo onde ouvir não é escutar, isso diz algo.
Onde ver uma notícia não acorda o ser para a realidade, com certeza pode-se admirar.
Os sorrisos são simplesmente uma máscara de persuasão funcional, mas tão limitada na verdade.
Todos nós já usamos o sorriso amarelo mais de uma vez, mas posso dizer com afinco que o meu atual é o de maior alcance.
Não porque eu queira, mas porque as pessoas não leem o significado das minhas letras, não escutam o que eu digo, e não querem enxergar a realidade.
Estão ocupados demais querendo apenas as respostas que lhe agradam.
Pois bem, continuemos a nossa existência.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
iiir
Não é só uma questão de vir e ir
De chegar e partir
Mas uma questão de sentir
O simples fato de estar aqui.
De chegar e partir
Mas uma questão de sentir
O simples fato de estar aqui.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Corbier
Caminhos da complexidade
Estruturas acrílicas
Embalsamadas de Luxúria
Sodomizados pelo poder
Aquele tilintar de almas
Pensamentos jogados às traças
Iludindo o decidido
Impulsionando os atos do indeciso
Averiguando tudo o que pode surrupiar
Como o destemido que possui o direito de cobrar
Creditando os sentimentos
Aos valores já destinados
As condutas reprimidas
Das mãos lavadas
De sonhos desfocados
Pesadelos conscientes
Em que o venoso é saboroso
E o purificado putrificado
Do destino já escrito
Das verdades questionadas
De rotinas enegrecidas
Pela luz, oh conduzida
Estruturas acrílicas
Embalsamadas de Luxúria
Sodomizados pelo poder
Aquele tilintar de almas
Pensamentos jogados às traças
Iludindo o decidido
Impulsionando os atos do indeciso
Averiguando tudo o que pode surrupiar
Como o destemido que possui o direito de cobrar
Creditando os sentimentos
Aos valores já destinados
As condutas reprimidas
Das mãos lavadas
De sonhos desfocados
Pesadelos conscientes
Em que o venoso é saboroso
E o purificado putrificado
Do destino já escrito
Das verdades questionadas
De rotinas enegrecidas
Pela luz, oh conduzida
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Primícias da Estagnação - Ato I
Estagnar, parar, não seguir
Sem absortância dos fatos no ar
Ver a comprovação da Ciência com pesar
A racionalidade do não evoluir
A provocação no lugar do agir
Usar o politicamente correto como tato
Ver o outro com nojo
Não aceitar o ato
Acredita que tudo acaba no "Mojo"
Usa o nome de um tal ser
Para basear o seu parecer
Distorce fundamentos para julgar
Aquele que não consegue suportar
Não consigo entender a sua mente
Que me considera um Ultraje
Acredito que há história com essa tal "gente"
Fala que dialogar é bobagem
Discursa em tom de dragão
Mas não consegue fortalecer um explicação
Atribui a culpa ao Vilão
A quem nomeia e encendeia a estagnação.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Ele caminha, ele olha, ele chega
Ele caminha pela rua
Ele caminha pela rua deserta
Ele caminha pela rua deserta a noite
Ele está com as mãos escondidas
Ele está com as mãos escondidas no bolso
Ele está com as mãos escondidas no bolso do casaco
O seu coração palpita
O seu coração palpita pelas notícias
O seu coração palpita pelas notícias que ele quer
Os seus olhos enxergam a chuva
Os seus olhos enxergam a chuva e a sentem
Os seus olhos enxergam a chuva e a sentem como frio espinhal
A sua mente viaja até
A sua mente viaja até ela
A sua mente viaja até ela mirar
A noite está mais gélida
A noite está mais gélida, mais chuvosa
A noite está mais gélida, mais chuvosa e mais longa
Ele deixou dez quarteirões
Ele deixou dez quarteirões de histórias
Ele deixou dez quarteirões de histórias à mínguas
Ele na rua principal para
Ele na rua principal para, e olha
Ele na rua principal para, e olha, e atravessa
Ele vira à direita
Ele vira à direita, contorna a esquina
Ele vira à direita, contorna a esquina e anda
Suas pernas o levam ao meio
Suas pernas o levam ao meio do quarteirão
Suas pernas o levam ao meio do quarteirão e param
Ele olha para cima
Ele olha para cima, na janela
Ele olha para cima, na janela com a luz acessa
Ele abre a porta
Ele abre a porta com cuidado
Ele abre a porta com cuidado noturno
Ele sobe as escadas
Ele sobe as escadas no ritmo
Ele sobe as escadas no ritmo do seu coração
Ele chega rápido
Ele chega rápido, respira
Ele chega rápido, respira, toca a campainha
Ele espera
Ele espera angustiantemente
Ele espera angustiantemente o fogo
Ela abre a porta
Ela abre a porta para ele
Ela abre a porta para ele, e sorri
Ela não diz nada
Ela não diz nada, mas ele entra
Ela não diz nada, mas ele entra, e sorri
Ela fecha a porta
Ela fecha a porta e se vira
Ela fecha a porta e se vira, e o encontra
Ele pega as suas mãos frias
Ele pega as suas mãos frias nas suas mãos quentes
Ele pega as suas mãos frias nas suas mãos quentes, sem sorrir
Ela lhe dá um abraço apertado
Ela lhe dá um abraço apertado acongegantemente
Ela lhe dá um abraço apertado acongegantemente quente
Ele passa as mãos em seus cabelos
Ele passa as mãos em seus cabelos, em seu pescoço
Ele passa as mãos em seus cabelos, em seu pescoço até a nuca
Ela tira-lhe o casaco molhado
Ela tira-lhe o casaco molhado, seca-o com a toalha
Ela tira-lhe o casaco molhado, seca-o com a toalha até os seus cabelos
Ele tira os sapatos
Ele tira os sapatos, pega o cobertor
Ele tira os sapatos, pega o cobertor, e senta no sofá
Ela senta ao lado no sofá
Ela senta ao lado no sofá, abre o cobertor
Ela senta ao lado no sofá, abre o cobertor, e os cobrem
Ele sente o coração palpitar
Ele sente o coração palpitar, os olhos enxergar
Ele sente o coração palpitar,os olhos enxergar, a mente viajar
Ela sorri
Ela sorri, ele sorri
Ela sorri, ele sorri, e os dois dormem
Ele caminha pela rua deserta
Ele caminha pela rua deserta a noite
Ele está com as mãos escondidas
Ele está com as mãos escondidas no bolso
Ele está com as mãos escondidas no bolso do casaco
O seu coração palpita
O seu coração palpita pelas notícias
O seu coração palpita pelas notícias que ele quer
Os seus olhos enxergam a chuva
Os seus olhos enxergam a chuva e a sentem
Os seus olhos enxergam a chuva e a sentem como frio espinhal
A sua mente viaja até
A sua mente viaja até ela
A sua mente viaja até ela mirar
A noite está mais gélida
A noite está mais gélida, mais chuvosa
A noite está mais gélida, mais chuvosa e mais longa
Ele deixou dez quarteirões
Ele deixou dez quarteirões de histórias
Ele deixou dez quarteirões de histórias à mínguas
Ele na rua principal para
Ele na rua principal para, e olha
Ele na rua principal para, e olha, e atravessa
Ele vira à direita
Ele vira à direita, contorna a esquina
Ele vira à direita, contorna a esquina e anda
Suas pernas o levam ao meio
Suas pernas o levam ao meio do quarteirão
Suas pernas o levam ao meio do quarteirão e param
Ele olha para cima
Ele olha para cima, na janela
Ele olha para cima, na janela com a luz acessa
Ele abre a porta
Ele abre a porta com cuidado
Ele abre a porta com cuidado noturno
Ele sobe as escadas
Ele sobe as escadas no ritmo
Ele sobe as escadas no ritmo do seu coração
Ele chega rápido
Ele chega rápido, respira
Ele chega rápido, respira, toca a campainha
Ele espera
Ele espera angustiantemente
Ele espera angustiantemente o fogo
Ela abre a porta
Ela abre a porta para ele
Ela abre a porta para ele, e sorri
Ela não diz nada
Ela não diz nada, mas ele entra
Ela não diz nada, mas ele entra, e sorri
Ela fecha a porta
Ela fecha a porta e se vira
Ela fecha a porta e se vira, e o encontra
Ele pega as suas mãos frias
Ele pega as suas mãos frias nas suas mãos quentes
Ele pega as suas mãos frias nas suas mãos quentes, sem sorrir
Ela lhe dá um abraço apertado
Ela lhe dá um abraço apertado acongegantemente
Ela lhe dá um abraço apertado acongegantemente quente
Ele passa as mãos em seus cabelos
Ele passa as mãos em seus cabelos, em seu pescoço
Ele passa as mãos em seus cabelos, em seu pescoço até a nuca
Ela tira-lhe o casaco molhado
Ela tira-lhe o casaco molhado, seca-o com a toalha
Ela tira-lhe o casaco molhado, seca-o com a toalha até os seus cabelos
Ele tira os sapatos
Ele tira os sapatos, pega o cobertor
Ele tira os sapatos, pega o cobertor, e senta no sofá
Ela senta ao lado no sofá
Ela senta ao lado no sofá, abre o cobertor
Ela senta ao lado no sofá, abre o cobertor, e os cobrem
Ele sente o coração palpitar
Ele sente o coração palpitar, os olhos enxergar
Ele sente o coração palpitar,os olhos enxergar, a mente viajar
Ela sorri
Ela sorri, ele sorri
Ela sorri, ele sorri, e os dois dormem
sábado, 24 de dezembro de 2011
Ainda três

Três meses se passaram, mas sinto uma dor de três vidas inteiras. Dormir é tão difícil, pensar, respirar. Dói de uma maneira excruciante, angustiante. Estou sentindo perdas que não deveriam ocorrer agora, tão proximas umas das outras. Mas nenhuma perda supera a tua. Parece que o tempo passa por tabela, não consigo ver as datas com tanta sincronia. O tempo perdeu a sua harmonia quando ficamos em realidades paralelas, que não se encontram em nosso olhar, em nosso sentimento. "Como?", "Como?", "Como viver em uma realidade sem a sua presença?". "Como suportar a dor da falta de opção?". Eu tento disfarçar, mas as vezes é difícil demais. Nada será como antes, quando o meu melhor despertador era o simples fato de te ver, te sentir. Três meses de uma nova vida, uma vida que não queria para mim. Respiro pela metade, vivo pela metade, sou uma metade.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
E.
▄▄▄No final do inverno seu aniversário passou, mas a saudade que sinto de ti está empregnada em meu peito. Tudo o que eu desejo é olhar em seus olhos novamente. Esses anos tem sido tão difícies. Naquele ano, no meu dia, naquele dia onde os 15 eram feitos você me deu o seu coração em forma de colar, ele esteve comigo desde então. Mas neste ano, no seu dia, naquele onde os 21 eram feitos, ele se foi, quebrou, o seu coração em forma de prata caiu no chão da sala. Naquele dia eu acordei pensando em ti, aliás como penso todos os dias, mas era um pensamento especial, pois era mais um ano que não lhe via pessoalmente. Contudo este pensamento trazia consigo uma sensação estranha, desagradável. No meio da manhã a minha, a sua, a nossa corrente se rompeu. Desde aquele momento eu sinto meu pescoço desprotegido, sinto que está mais difícil respirar, o pingente ficava na altura do meu peito, acalmando o meu coração, mas agora, ele está na minha cama, separado de mim. Meu corpo está tao frio, tão estranho, sinto arrepios todo o tempo, lágrimas escorrem do meu rosto. Como eu queria poder te tocar novamente. Eu lembro de cada palavra, cada olhar dirigido a mim desde que lhe conheci. Lembro de tudo o que você me disse, sei que algumas palavras foram ditas para me proteger, mas já era tarde demais. Meu coração já é seu. Também lembro o que você me disse certo tempo antes de ir, suas palavras foram doces, sinceras e intensas,um delicioso " você é a pessoa que mais amo na vida, e além dela", e eu respondi "e além". Foi tão difícil falar de ti para outra pessoa, mas eu falei, disse algumas características e alguns feitos seus para uma única pessoa, aliás, eu chorei na frente dela sobre a sua situação. Lágrimas me cegam enquanto escrevo isto, pois agora não é somente uma distância geográfica que nos separa, mais algo muito além. Eu sei o quanto você sofreu, o quanto sofreu por mim, e o que eu sofri, os sacrifícios que fez são muito maiores dos que fiz por ti. Não consigo mais focar meus pensamentos, minha mente sempre me leva aos seus olhos azuis, seus cabelos pretos desfiados, o seu sorriso. Como sinto a tua falta,como queria que você estivesse aqui para me fazer rir,me levar para fazer um pequenique, ficarmos deitados abraçados conversando a toa, ou simplesmente quando ficavamos olhando um ao outro sem dizer nada. Neste ano não tomei sorvete de limão no seu dia, é a primeira vez que isso acontece, ainda vou, é uma forma de te sentir novamente, já é tradição do mês de Setembro. E irei o resto da minha vida, enquanto existir. Tem um arame farpado apertando o meu coração a todo o momento. Você me prometeu que aquele não era o último adeus, que iria voltar, mas agora eu sei que não poderá mais. O mundo não é justo, não tive chance de me despedir. Agora estou sozinha deste lado, mas eu sei que é temporário, pois a nossa união é além.
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