domingo, 6 de maio de 2012

Descer e encontrar

De banho tomado
Sapatos de laços calçados
Meu relógio atrasado
Para encontrar você sempre adiantado

Você comprava chokito para mim
Eu falava que ia engordar
Você ria de mim
Como se com isso você fosse se importar

Eu posso estar sozinha a noite
Dos seus olhos eu sempre vou lembrar
Pois pertencem a uma pessoa forte
Com quem eu sempre irei sonhar

Você me ligava no celular
Para avisar que vinha me buscar
Eu descia até a esquina
Para você encontrar

Você fazia tudo parecer tão especial
Como se tudo fosse o mais essencial dos segredos
E foi isso que aconteceu no final
Porque nunca conheceram esse sentimento por dentro

Você me levava para passear
Por ruas que nem imagina existir
Dando a cidade um novo olhar
Sempre fazendo eu me divertir

Você me comprava pão de queijo
Daquela padaria do Setor Oeste
Me derretia com o seu beijo
Que me pegava como a surpresa de um teste

Com a sua mãe você nem se importava
Pois ela vivia fora de casa
Você sempre demonstrou que me amava
Como um vinho a uma taça

Depois de algum tempo
Era hora de voltar
Ficávamos no lamento
Por sempre mais desejar

sábado, 3 de março de 2012

No ritmo da vida da gente

É interessante como algo que não é seu se torna seu. Estou dizendo isso porque hoje foi o último capítulo de "A vida da gente", uma novela das 6. Uma novela feita para todos, mas que se tornou tão minha. Não foi simplesmente uma novela, mas foi um aprendizado, uma caminha a frente, em direção ao Feixe de Luz. Durante a novela tantas coisas aconteceram, perdas e ganhos. Muitas vezes em proporções equivalentes, quando vistas de certas perspectivas. Eu vi sorrisos, conquistas, lágrimas e idas sem despedidas, mas eu vi isso na minha vida também. Eu sei que isto não é uma questão minha, mas sim humana, se você meu caro E. tivesse aqui, com certeza concordaria com alguns fatos, dizeres, momentos. Entretanto sei que haveria momentos que você simplesmente me abraçaria e tentaria me proteger de todas as coisas ruins. Eu perdi pessoas durante esse caminho, você principalmente, mas não é que a vida da gente dá voltas, e eu percebi que estava tentando manter algo que não tinha mais como. Isso não é sem lógica? Coisas do coração meu caro. Percebi que errei com alguns, pelo fato de deixar minha opinião de lado por quem não a reconhecia, ou por quem não deveria nem sequer ouví-la. Mas ao mesmo tempo, percebi que encontrei pessoas tão lindas de alma nesta jornada e comecei a enxergar algumas que estavam sempre ali. Rompi barreiras, encontrei as chaves de portas. E não é que coisas assim também aconteceram na novela? Pois a vida e a arte são ligadas. Quando analiso os prós e contras da minha família, dos meus amigos, da minha rotina, vejo que tudo está mais evoluído do que era antes. Eu tinha raiva, rancor, em alguns quesitos ainda tenho mágoa, mas me pego pensando assim: "nossa, passou". Não pense você que está lendo isto aqui, que tudo isto gira em torno da emoção do final de novela, mas sim em como a vida transcorre. Não posso dizer que tudo está acertado, resolvido, porque sejamos francos.... nunca estará, pois estamos sempre em curso. Estou citando você meu caro, não porque tive a coincidência de lamuriar a sua perda física durante a novela, mas sim porque você é um bom exemplo das minhas borboletas azuis. A novela citou os fatos que ocorreram em rios, rios estes que me levaram duas pessoas, uma durante o ensino fundamental, outra durante o ensino médio. Os rios levaram duas pessoas, mas me deixaram duas almas. O mais incrível para mim é sentir um alívio por tudo que tenho sentido nesses últimos tempos, antes, durante e depois da trama. Acredito que estou lidando, aproveitando, expressando melhor minhas vontades, meus pensamentos, meus sentimentos, como os personagens fizeram ao decorrer do folhetim. A trilha sonora, o enredo, o roteiro da minha vida está cada vez mais refinado, não para o público, ao contrário da novela, mas para mim.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Alguns sorrisos.

Estou aqui, tentado fazer algo positivo neste mundo. Mas não é engraçado, e acima de tudo deprimente, o quanto as pessoas tentam te boicotar? Eu não entendo essa lógica. Não deveríamos apoiar a doação de sangue, o uso dos três erres, a importância da educação, e o desenvolvimento do caráter e conhecimento das próximas gerações? Então, por que atrapalhar quem ajuda? Tem muito trabalho no mundo para ser feito. Não podemos apenas sorrir, e tentar aprender algo com isso? Sei que todo mundo tem defeitos, eu aliás, tenho muitos, mas não podemos enxergar que as qualidades são sempre em maior quantidade e valor? Acredito profundamente que o mundo tem esperanças, e que cabe a cada um de nós, seja pela arte de cantar, compor, atuar, seja dentro de um escritório, um consultório, um laboratório, seja por um pequeno texto em um blog, tentar mudar as coisas, pessoas negativas, e aprimorar as boas? Sei que alguns param apenas na escritura ou leitura de textos como este, mas eu estou tentando, buscando minha parte no mundo, não é muito, mas o suficiente para trazer alguns sorrisos. =]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhar diagonal

Alheias a sociedade
Transmitem um primeiro olhar diagonal
De quem vive uma diferente realidade
Do que supomos ser a normal

Exteriormente coberta de cimento
Quem a usa tem que mostrar-se duro com os julgamentos
Interiormente são cabos entrelaçados o verdadeiro sustento
Quem a usa tem que esconder seus sentimentos

Há quem diga que todos são iguais
Mas se pensarmos por um momento
Isto não são cotidianos reais
Pois só há uma opção de entrosamento

Nessa escolha sem escolha
Passam vidas, histórias, sonhos
Que estão presos em uma bolha
Pelas limitações impostas aos seus movimentos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

E não é...

E não é que o simples digitar de letras significa algo constantemente?!
Num mundo onde ouvir não é escutar, isso diz algo.
Onde ver uma notícia não acorda o ser para a realidade, com certeza pode-se admirar.
Os sorrisos são simplesmente uma máscara de persuasão funcional, mas tão limitada na verdade.
Todos nós já usamos o sorriso amarelo mais de uma vez, mas posso dizer com afinco que o meu atual é o de maior alcance.
Não porque eu queira, mas porque as pessoas não leem o significado das minhas letras, não escutam o que eu digo, e não querem enxergar a realidade.
Estão ocupados demais querendo apenas as respostas que lhe agradam.
Pois bem, continuemos a nossa existência.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

iiir

Não é só uma questão de vir e ir
De chegar e partir
Mas uma questão de sentir
O simples fato de estar aqui.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Corbier

Caminhos da complexidade
Estruturas acrílicas
Embalsamadas de Luxúria
Sodomizados pelo poder
Aquele tilintar de almas
Pensamentos jogados às traças
Iludindo o decidido
Impulsionando os atos do indeciso
Averiguando tudo o que pode surrupiar
Como o destemido que possui o direito de cobrar
Creditando os sentimentos
Aos valores já destinados
As condutas reprimidas
Das mãos lavadas
De sonhos desfocados
Pesadelos conscientes
Em que o venoso é saboroso
E o purificado putrificado
Do destino já escrito
Das verdades questionadas
De rotinas enegrecidas
Pela luz, oh conduzida