sábado, 22 de novembro de 2014

216 horas - Parte (do corpo) I

          Existem alguns momentos na vida que são tensos, um deles é o pós-declaração-de-amor. Ele dura três dias, a mesma quantidade de tempo que dura uma hora na cabeça do apaixonado(a). Enquanto uma pessoa em seu estado normal viverá 72 horas, ele remoerá cada palavra dita, escrita ou pensada durante 216 horas. Há milhares de efeitos colaterais durante essa "morte horrível" chamada espera, mas alguns são universais, como pensar que o(a) amado(a) dirá não. Você já ouviu falar nas omoplatas!? São aquele par de ossos na parte superior das costas que encostam-se quando espreguiçamos e afastam-se quando abraçamos.
          Logo depois de se declarar, as omoplatas adquirem um comportamento um tanto quanto estranho. Elas sentem o ar dos seus pulmões, como se eles fossem peneiras de lanchonete que coam suco de laranja. Essa condição traz à vitima uma sensação de tórax rasgado com um ventilador ligado no três, isto a faz sentir seus órgãos balançando: pulmões como pipas e coração como um tênis pendurado na rede elétrica. O vento não pesa, mas pode mover todas as massas. 
          Você pode pensar que durante os três dias é apenas com isso que as omoplatas tem que lidar quando estão no corpo de um declarante-de-amor, mas elas também lidam com outro tipo de leveza que move massas. Para nós humanos, as omoplatas terminam com a pele das costas, uma camada até fina, pois podemos vê-las indo e voltando pelo espelho, mas para os anjos, incluindo os cupidos, elas são o início das asas. As asas são extensões do corpo compostas por ossos e cartilagem ligadas as omoplatas, e revestidas com penas. 
          Assim como a estrutura óssea das asas, o apaixonado(a) tem uma estrutura composta de sentimentos simples e complexos, que foram acumulados e misturados ao longo de toda uma existência, para que ele saiba o que se passa com o seu emocional e saber se é hora de se esticar ou dobrar. Entretanto, durante estes 3 dias, as emoções da vítima se tornam tão extremas quanto são as penas na extremidade da anatomia dos anjos. Delicadas, frágeis, mas firmes. Protetoras como um casulo e ao mesmo tempo sufocantes. Leves como plumas, mas com força para levantar elefantes.
          As omoplatas trabalham arduamente durante essa "morte horrível" chamada espera, não somente por suas próprias funções, mas pelo trabalho conjunto com outras partes. Todo apaixonado(a) sabe trabalhar os braços, e não é porque ele vai à academia, mas porque articula incansavelmente, principalmente sozinho. Fala, gesticula e teoriza sozinho. As omoplatas se dobram e se esticam desde o movimento de tampar o rosto com um travesseiro, quanto jogar as mãos para cima em sinal de desistência.
          Como disse, é um trabalho em conjunto, as omoplatas tem um importante papel no drama dos três dias pós-declaração-de-amor, mas as outras protagonistas também tem suas falas e expressões, hora juntas, hora separadas. Quase uma vida de Relações Públicas essa das omoplatas. 

sábado, 5 de outubro de 2013

A me observar

Não foram dias de primaveras
Tormentas e furacões estiveram em mim
Pensamentos de várias esferas
Sobre tudo que já vivi

Papel e tinta gastos
Nesta imensidão de palavras pronunciadas
Muitas trocas de sapatos
Para apreciar minha caminhada

Pois quando não há fundamento
Não há necessidade de olhar para trás
Um advogado sem prova para seu "fato"
Perderá sua honra nos tribunais

Não adianta apelar para a mídia
Pois no primeiro momento podem até lhe escutar
Para o delicioso ibope alcançar
Mas há canais que preferem a veracidade mostrar
E neles você não irá passar

Como um tubarão que arrancou o primeiro pedaço
Você quer voltar
Como se sofresse de algum lapso
 Achando que a minha mente pode apagar

É muito "bonito" falar o que quer
Mas não ficar para escutar
A sua baixeza eu não conseguia perceber
Até você se revelar

Meus olhos agora estão abertos
Não adianta mais
Tentar demonstrar algum afeto
A sua presença não me satisfaz

Pode tentar me puxar
Mas eu não vou cair
Fique aí embaixo a me observar
Pois nunca conseguirá subir


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Just write 15

Não é somente perceber que você não está mais aqui, mas o simples fato de nunca ter esquecido esse detalhe tão deprimente. Não sinto toda essa situação como a sua partida, mas sim a minha, pois não pertenço mais a este mundo se você não pertence mais a ele. Não tenho palavras elaboradas para expor nossas histórias, vivências e convivências, apesar de tentar embelezar gramaticalmente aquilo que te cerca. E bem, não consigo de fato, você é muito mais bonito que tudo que digito. Tem um pouco mais de um ano que soube que não viveria de todo nesta vida, mas a dor que sinto me transporta para o dia de sua ida. Para mim é como se ontem fosse hoje, e o que sinto hoje também será sentido amanhã. Não posso dizer que sentirei da mesma forma, querendo ou não estamos em processo de adaptação, evolução e estagnação, mas sua falta me renova a cada manhã. De fato não tenho aquelas palavras bonitas, nem tocarei ninguém com as minhas palavras. Acho que elas são tão minhas que apenas eu consigo entender. Muitos tem a dor que sinto, mas somente eu sei a dosagem que é ministrada. Não estou tão conectada com as opiniões alheias, mas escuto que tudo que sinto, que estou passando é uma mentira, um exagero adolescente ou imaturidade. Sabe o que eu realmente penso sobre essas pessoas? Que elas querem ter o que eu tive, alguém que me completa de forma sublime, que me faz sorrir, que provoca lágrimas com desejo de quero mais, alguém que me ame e que eu possa amar sem esteriótipos. Você é meu, do seu jeitinho quietinho, com seus traços, beijos e abraços. Tudo meu, uma pena que não pode pegar um avião para cá e me fazer uma daquelas surpresas. Como disse, sinto que essa não é a sua partida e sim a minha.

domingo, 14 de outubro de 2012

Conredo





Você para e me diz que tudo se transformará
Eu até aceito a sentença, mas desconfio
Uma mariposa, uma bortoleta aparecerá?
Ou tudo não passará de uma lagarta no meio fio?

As surdinas da noite são mais claras que o meio dia
E os ultrapassados virais não encontram um início
O adultero não sabia que o cujo viria
E as lamentações pertenceriam ao comício

Rubiões almejam todos os nefastos
Pomposamente dignos do acaso
Tramitando dizeres em poucos Hertz
Sem esquecer da parada no andar 7

Conturbado retilíneo circular
Formidável, Oh discórdia!
Os surdos não podem esperar
Puderam somente apalpar
Os libertos tentam escapar

Convencendo aqueles que tornaram arredios
O tal cristalino social
Auvéolos um tanto macios
 E o entretenimento frontal

Correntes de sóis nominais
Putrefação dos caminhos
Traumatismos banais
Correndo pelo suicídio dos moinhos

Convidados remanescentes ao título
Estalos de despedidas latejantes
Lamuriantes comentários do vívido
Pelos alojados viajantes

Tão convicentes quanto galinhas
Estão ao lado no supetão
Utilizáveis como farinhas
Pelo deslize da monção

Relembre doce miséria
Horizontes triviais
Olhares além da capela
Estrondos ploretariamente orbitáis
Oh, aquilo que não há!

domingo, 24 de junho de 2012

E à dentro

Nove meses se passaram
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui
Os dias são rápidos e sem relevância
Percebo o quanto fico perdida com sua ausência
Vagando por bobagens na internet
O meu amor por você é mais brilhante que seus olhos azuis
E mais intenso que o negro de seus cabelos
As tardes são apenas horas comandadas pelo Sol
As manhãs são opções para estender meus sonhos
Dormir é sempre agradável
Você está na maioria dos meus sonhos
As noites me lembram que não tenho motivos para despertar amanhã
Isso é tão mesquinho de minha parte
Existem outros dependendo do meu passado, presente, futuro
Mas ainda vejo sem destino os meus trilhos
Dormir é tão reconfortante
Foi o que você mais fez nos últimos tempos
Mas é justamento o Grande Sono que me separa de ti
E eu me pego chorando madrugada à dentro
Nada posso fazer, pois você não está aqui

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dear boy




Eu conheci um garoto nos corredores da escola
Ele estava uma série a minha frente
Mas em salas diferentes
Eu em uma ponta e ele em outra
Ele tinha os olhos mais brilhantes do mundo

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Os seus passos sempre me pareceram tão certeiros
Apesar da pouca distância que percorriam
Você sempre vinha me encontrar
E eu queria sempre mais quando ouvia o seu "bye bye"

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Quase sempre andava com a pele coberta
Parecia que te fazia mal a luz
Tinha uma pele tão branquinha
E as mãos frias que me seduz

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

Querido, deixe eu olhar os seus olhos brilhantes
Ver os seus passos firmes
Tocar com amor a sua pele
E ouvir a melodia da sua voz

Caro garoto, deixe eu ser a acústica das suas palavras
Te ouvir falar me parece o suficiente
Você é tão doce
Sempre acabarei mostrando os meus dentes
Please, deixe me ouvir a sua voz

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sem necessidade de revelar sua nomeação ao público.

E ele caminhou pelos túneis fétidos, que estavam cheirando pó, mas não um simples pó, mas um pó de ossos, ossos de quem morreu com um grito na garganta e acído no esôfago. Um túnel que nas bases baixas de suas paredes eram verdes, verdes de lodo, um lodo que apenas de olhar amargava a boca. Um túnel que nas bases altas de suas paredes eram negras, negras como os fornos arianos, que traziam a mente as mais belas moedas de ouro. Ele sabia que caminhar ali era necessário, porém havia uma grande probabilidade que ele nunca saísse de lá, que seus ossos acompanhassem o eco daquele pó ácido restante dos fétidos gritantes. As luzes que se alternavam a cada 3 metros tinham uma cor gélida, algo que o lembrava âmbar, mas que ao mesmo tempo o fazia lembrar de túneis de minas que desmoronaram. Suas botinas que já estavam um tanto gastas pelo pavimento da vida, pisavam e se molhavam no filete de água que escorria pelo túnel, um filete de textura encorpada como óleo e salobra como de um pântano. Provavelmente já estava caminhando por ali há 10 minutos, mas não poderia de fato acreditar nisso, pois o tempo se tornara atemporal, e atemporal se tornara a rotina do tempo. Então ele pensou "o tempo, denominado o senhor de todos, neste mundo era apenas mais um servo dele",  e isto o fez lembrar das tardes que passava ao lado de seu primo, treinando para o amanhã sem ter a certeza se o hoje iria se concretizar. Tardes correndo pelos campos de trigo, treinando tiro ao alvo em madeiras marcadas com tinta vermelha, dando saltos especiais (naquela época julgados fabulosos). Comendo pão sovado por sua mãe na hora do grande peso, e deliciados na hora do Sol-água-ardente. Essas lembranças tinham um cheiro delicioso, acolhedor, que o fazia lembrar de quando tudo era mais fácil (parecia mais fácil, simples), mas então ele sentiu o cheiro de onde realmente estava, nas ruinas Lot. Ele já estava meio entorpecido com aquele odor quando percebeu que uma luz azul cintilava metros à frente. Isso poderia significar algo, sentia que sim, mas seu senso crítico o contestava "pode ser apenas uma mudança na coloração do glass, ou na coloração do lodo". Mesmo assim ele sentia que aquela mudança era como o coláfaro, havia mudanças apartir dali.